Muita potência e baixa competição: o resultado do leilão de energia mais esperado de 2026

UTE Três Lagoas (MS), da Petrobras (Foto Agência Petrobras) -
Contratação foi de 19 GW de potência, com destaque para termelétricas a gás
Gabriela Ruddy
Muita potência e baixa competição: o resultado do leilão de energia mais esperado de 2026
Em uma contratação ampla e cara, o primeiro leilão de reserva de capacidade de 2026 contratou 19 gigawatts (GW) de potência por meio de 100 projetos. O destaque foram as termelétricas, que representaram 86% da potência total, sendo a maioria usinas novas.
- A primeira etapa do leilão mais aguardado do ano teve deságio de apenas 5,52%, evidenciando a baixa competição em relação ao preço-teto - que foram alvo de questionamentos e foram recalculados há poucas semanas.
- O alto volume de projetos cadastrados, com mais de 120 GW, não significou uma disputa acirrada, como esperava o governo - o valor tem uma redundância, dado que as mesmas térmicas foram registradas para diferentes anos.
Com investimentos estimados em R$ 64 bilhões, a potência contratada foi expressiva, representando quase 10% do atual parque gerador do Sistema Interligado Nacional (SIN).
- Parte do setor afirma que esperava que a demanda por potência ficaria nesse patamar, mas há questionamentos sobre a necessidade de viabilizar todo esse volume já no certame deste ano.
- O MME sustenta que essa potência é necessária para o atendimento da ponta da demanda nos próximos anos e que não vai prejudicar a viabilidade de um certame também para baterias.
- Mas o governo questiona o cálculo e afirma que a substituição do atual parque termelétrico por contratos mais flexíveis vai reduzir o custo da tarifa em 24%.
- Ainda assim, reconhece que há um reflexo do cenário atual: "O preço revelado mostra que de fato nós estamos numa conjuntura em que temos preços internacionais pressionados, diversos riscos geopolíticos, uma cadeia logística para aquisição de equipamentos pressionada e isso tem um impacto", disse o secretário executivo do MME, Gustavo Ataíde, em coletiva de imprensa.
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Como esperado, houve alta contratação por parte da Petrobras, Eneva e J&F, que levaram mais da metade da potência a gás.
Os mais de 5 GW contratados pela Eneva impactaram positivamente as ações da companhia.
Com 2,2 GW, a Petrobras estima receita fixa anual de cerca de R$ 4 bilhões. Mais em:
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Esse foi também o primeiro leilão a viabilizar a ampliação de hidrelétricas, depois de anos sem grandes aumentos na ampliação dessa fonte.
- A maior vencedora foi a Copel, com a contratação de 1,86 GW para a expansão das usinas de Foz da Areia e Areia (PR).
- Outro grande player do setor, a Axia (ex-Eletrobras) vai investir R$ 1 bilhão para ampliar a usina Luiz Gonzaga (PE/BA) em 246,6 MW de potência instalada.
- A Spic Brasil também conseguiu contratar a expansão em 310 MW da usina São Simão (MG/GO), com um aporte de mais de R$ 1 bilhão previsto.
- Já a Engie vai ampliar em 232 MW a potência da hidrelétrica Jaguara (MG/SP), com um investimento total de cerca de R$ 1,2 bilhão.
Depois de um vaivém que envolveu judicialização, trocas na equipe e reelaboração das regras, enfim saiu do papel o leilão necessário para garantir a disponibilidade de potência ao sistema, frente ao crescimento das fontes renováveis, que são intermitentes.
- O Operador Nacional do Sistema (ONS) indicou ao TCU que as alternativas ao leilão deixariam a energia mais cara.
- Na sexta (20) está prevista a segunda etapa da contratação, com termelétricas a diesel e óleo combustível.
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