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Exclusivo: Diamante compra térmica a carvão da Eneva por até R$ 1 bilhão

Termelétrica de Pecém  Divulgação -

Negócio marca reorganização no complexo do Pecém, com consolidação das usinas sob a Diamante e avanço da Eneva em projetos de gás natural


Robson Rodrigues, São Paulo

A Diamante Geração fechou a compra da usina termelétrica Pecém II, no Ceará, da Eneva, em uma operação que pode chegar a cerca de R$ 1 bilhão, segundo apurou a CNN com fontes a par das negociações.

O anúncio deve ocorrer nesta sexta-feira (27) e, de acordo com fontes, envolve a venda de 100% da usina, que tem capacidade instalada de 365 megawatts (MW).

O ativo foi avaliado cerca de R$ 872 milhões (enterprise value), considerando dívida líquida. O acordo também prevê um pagamento adicional que vai depender de condições futuras, o que eleva o valor potencial do negócio para mais de R$ 1 bilhão.

A usina é movida a carvão mineral possui contratos de venda de energia até 2028 e garantiu novos contratos no leilão de reserva de capacidade (LRCap) de 2026, com fornecimento a partir de 2031 por dez anos, o que reforça a previsibilidade de receitas do ativo.

Nos bastidores, a negociação marca um movimento relevante da Eneva de reciclagem de portfólio, com foco em projetos a gás natural. No mesmo pacote, a companhia também firmou acordos com a Diamante e o governo do Ceará para viabilizar um terminal de gás natural liquefeito (GNL) no Complexo do Pecém.

O movimento também é visto como estratégico por agentes do setor. Em 2023, os fundos XP e Mercúrio adquiriram 80% da usina Pecém I, então controlada pela EDP, que manteve os 20% restantes. Dois anos depois, em 2025, a totalidade do ativo foi vendida para a Diamante.

A lógica, segundo fontes, está na própria concepção do complexo. Pecém I e II foram estruturadas para operar de forma integrada, compartilhando, por exemplo, a mesma esteira de transporte de carvão a partir do porto.

A consolidação dos ativos sob um único controlador tende a gerar ganhos operacionais, o que explica o interesse da Diamante e sua capacidade de pagar um prêmio pelo ativo.

O projeto integra a estratégia da Eneva de desenvolver um novo hub de gás no Nordeste, que deve abastecer futuras usinas termelétricas da companhia na região. Já para a Diamante, a aquisição amplia a presença em geração térmica e reforça a atuação no complexo do Pecém, um dos principais polos energéticos do país.

Procuradas, as empresas não se manifestaram.

CNN Brasil
https://www.cnnbrasil.com.br/infra/exclusivo-diamante-compra-termica-a-carvao-da-eneva-por-ate-r-1-bilhao/