ARMAZENE - Associação Brasileira de Armazenamento de Energia

Uso de baterias já é realidade na China

País ainda emprega termelétricas a carvão para dar estabilidade à matriz, mesmo com transição energética acelerada


Por Isadora Peron - De Shijiazhuang, China

Enquanto o Brasil se prepara para realizar o seu primeiro leilão para compra de baterias de lítio em dezembro, o armazenamento de energia eólica e solar já começa a ser uma realidade na China, em mais uma frente para consolidar a transição energética do país.

Com a nova tecnologia, o excedente produzido durante o dia, que antes era perdido, passou a ser estocado para, posteriormente, ser enviado para a rede de transmissão. Assim, a energia pode ser utilizada quando houver necessidade, especialmente durante os horários de maior consumo.

O Valor visitou um desses centros de armazenamento na província de Hebei, que foi inaugurado em dezembro no condado de Tangxia (cerca de 240 quilômetros de Pequim). Na região, que é cercada por montanhas, placas pretas de energia solar se destacam em meio ao verde da vegetação.

Na subestação, a energia é armazenada em 80 baterias de lítio, ficam instaladas em uma espécie de contêineres. Esse tipo de bateria, segundo especialistas, apresenta baixo custo, longo ciclo de vida, resistência a altas temperaturas, além de não gerar resíduos.

A substituição do carvão não é uma tarefa fácil"

- He Zhikai

Nessa unidade são armazenados 400 MW por dia, o suficiente para alimentar uma cidade de 600 mil habitantes por duas horas. Desse total, porém, cerca de 5% a 10% são gastos no próprio processo de armazenamento.

Segundo He Zhikai, operador da subestação, o plano quinquenal da China (2026-2030) prevê a instalação de milhares desses centros pelo país, para diminuir a dependência em relação à energia à base de carvão, para tornar a matriz energética mais limpa. "O desenvolvimento verde é um dos objetivos mais importantes do governo, mas a substituição do carvão não é uma tarefa fácil."

A cerca de 160 quilômetros, o diagnóstico apresentado por quem trabalha diretamente com uma das mais modernas soluções para a energia limpa é confirmado na prática. O Valor esteve na Xibaipo Power Station, termelétrica a carvão em plena expansão.

A usina conta com seis unidades geradoras e outras duas em construção. Quando concluídas, a capacidade total instalada chegará a aproximadamente 3.840 MW.

Segundo técnicos da termelétrica, o grande objetivo é usar menos carvão para produzir mais energia, além de aperfeiçoar as técnicas para tornar o processo menos poluente. Além disso, sustentam que o carvão é crucial para a segurança energética do país, mesmo diante de todos os esforços para reduzir as emissões de carbono.

"O uso do carvão é uma opção essencial para garantir a segurança energética da China, porque a energia solar e eólica são muito instáveis. A utilização de carvão é uma opção que não se pode abrir mão", diz Shi Weigang, diretor-geral da Xibaipo Power Station.

Mesmo assim, ele acredita que a China vai alcançar a neutralidade de carbono antes de 2060. "Primeiro, porque estamos reduzindo o uso de carvão. Segundo, porque estamos melhorando a nossa eficiência, isto é, nós estamos usando menos carvão para produzir mais energia. Além disso, também estamos aprimorando o uso de novas energias, como solar eólica", diz.

A repórter viajou a convite do China Media Group (CMG) e da Embaixada da China no Brasil

Valor
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/06/05/uso-de-baterias-ja-e-realidade-na-china.ghtml