Baterias entram no Plano Safra e aproximam o agro da transição energética

Plano Safra: programa soma R$ 525,1 bilhões em recursos e incorpora nova possibilidade de financiamento em linhas voltadas à inovação e cooperativas (Imagem gerada por IA/Exame) -
Entidade do setor de energia solar avalia que medida fortalece a segurança energética no agronegócio, mas diz que custo do crédito ainda limita investimentos
Letícia Ozório
Repórter de ESG
A edição 2026/2027 do Plano Safra passa a permitir, pela primeira vez, o financiamento de sistemas de armazenamento de energia por baterias em algumas das principais linhas de crédito voltadas ao agronegócio.
A mudança foi destacada pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), que considera a medida um avanço para a expansão da geração renovável nas propriedades rurais.
Anunciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o programa prevê R$ 525,1 bilhões em recursos para o setor, um aumento de R$ 8,9 bilhões em relação ao ciclo anterior.
Segundo a Absolar, linhas como o Inovagro e o Prodecoop passam a contemplar investimentos em sistemas de armazenamento de energia elétrica, tecnologia que pode ser integrada à geração solar para aumentar a segurança do abastecimento e ampliar a autonomia energética das propriedades.
A entidade afirma que a inclusão do armazenamento foi resultado de contribuições apresentadas ao governo federal durante a construção da nova edição do programa.
Obstáculos para adoção de baterias
Apesar da ampliação dos recursos e da redução das taxas de juros, a associação avalia que o custo do crédito continua sendo um fator relevante para a adoção dessas tecnologias.
De acordo com a entidade, as taxas passaram a variar entre 8% e 12,5%, abaixo do intervalo de 8,5% a 14,5% da edição anterior, mas ainda refletem o atual nível da taxa Selic.
Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da Absolar, conta que o Plano Safra se consolida como um instrumento cada vez mais estratégico para acelerar a transição energética no agronegócio.
"A inclusão do armazenamento de energia nas linhas de financiamento é um avanço importante para o setor. Ao mesmo tempo, o custo do crédito ainda influencia diretamente a decisão de investimento dos produtores em projetos de energia solar e armazenamento energético", afirma.
Segundo levantamento da entidade, o agronegócio brasileiro reúne atualmente 6,3 gigawatts (GW) de potência instalada em sistemas fotovoltaicos, o equivalente a mais de 13% de toda a capacidade de geração própria de energia solar do país.
Ao todo, mais de 806,7 mil propriedades rurais utilizam a tecnologia.
Baterias e energias renováveis
Para a Absolar, a combinação entre geração solar e armazenamento pode ser aplicada em atividades como bombeamento e irrigação de água, refrigeração de alimentos, controle de temperatura na produção de aves, iluminação, cercas elétricas, telecomunicações e monitoramento das propriedades rurais.Na avaliação do CEO da entidade, Rodrigo Sauaia, a inclusão dos sistemas de armazenamento nas linhas de financiamento amplia o acesso a tecnologias que podem reduzir custos com eletricidade e aumentar a previsibilidade do fornecimento de energia no campo.
"A combinação entre energia solar fotovoltaica e armazenamento proporciona redução dos custos com eletricidade, maior segurança no fornecimento de energia, proteção contra a volatilidade das tarifas e aumento da competitividade dos produtores rurais", conta.
"A inclusão dessas tecnologias nas linhas de financiamento do Plano Safra é mais um passo importante para ampliar a inovação, a produtividade e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro", afirma Sauaia.
Exame
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